Nothing to hide!?

Quem não tem nada a esconder não tem de anunciar, esconde-se sem aviso. 

A peça tem um emaranhado tal de situações que não é possível olhar para cada momento sem achar que se está a ser enganado. 

É vida em movimento a atuar entre 20 atores.

Podemos ser sempre facilmente ludibriados: muitos momentos a acontecer no mesmo espaço e só uma das atrizes parecer atuar a solo o tempo todo.

Performance multidisciplinar que explora a vulnerabilidade, inclusão e interdependência através da relação entre corpos, criando um espaço de transformação e coexistência. (folheto de apresentação do INAT, community arts festival)

Performance (o uso do inglês dá estatuto, tenta mascarar) Multidisciplinar: teatro, música, individual e coletiva, jogo de sombra e luzes, comunicação.

Vulnerabilidade dos corpos das pessoas.

Incluídas num mesmo projeto vida.

Interdependes uns, nos e dos outros.

A exploração dá prazer, sabe bem. 

E começa aqui, um palco vazio com um canto onde se amontoam coisas diversas: pessoas em corpos deitados que acordam com a peça, rodas de bicicleta com muitos aros (já imagem de marca da https://voarte.com/), momentos por viver.

Está ali a o que serão as peças separadas amontoadas e a dar uso em conjunto. 

Um diálogo, namoro, despique entre a eficiência e a deficiência com rasgos de sedução, aproximação e afastamento que vão quase beijar-se amar-se, abraçar-se e encaixar-se.

Cada um é cada qual, parece ter liberdade condicionada, cada um parece viver por si só com muitos encontros, nothing to hide!?

Amontoam-se em trios por vezes e há orquestrações e mimicas.

Há músicos no lado oposto com microfone e piano.

Um final alinhado na diagonal em palco em saída do palco e acabou no Fim.

No território visível em transformação. As imagens revelam estruturas, mecanismos e ligações habitualmente ocultas, tornando evidente aquilo que sustenta o movimento e a adaptação. As várias pessoas, corpos, vidas e 3 nacionalidades desafiam-se e movimentam-se, sentam-se em movimentos coreografados e pensados, imaginados nas diversas alturas, momentos e lugares.

O palco terá 7 metros por 8, mas parece longo e enorme, como longa é a imaginação e a criatividade de cada espectador.

Corpos enquanto espaços de vulnerabilidade, força e interdependência numa verdadeira analogia com o que é a vida em sociedade.

Cada um desses conceitos diz de si: vulnerabilidade, força e interdependência, corpos enquanto espaços.

Que mais peças podemos criar amanhã?

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