A sociedade está a borrifar-se para os deficientes
Uma queda na casa de banho mudou a vida de um dos psicólogos mais conceituados do país. “As pessoas achavam que tinha perdido qualidades e passaram a falar-me muito devagarinho”, testemunha Nas últimas décadas, Eduardo Sá é nome de referência quando se fala de psicologia infantil e parentalidade em Portugal. Queixa-se de que as crianças brincam menos e de que os “pais 5G” estão obcecados com o controlo , numa espécie de tecnocracia. Mas a vida encarregou-se de lhe dar uma nova cruzada quando, há cinco anos, um acidente o sentou numa cadeira de rodas. “Acho que posso ser útil para que as pessoas, quando olham para alguém que tem uma deficiência, digam assim ‘é só uma pessoa’. Todos vamos morrer e, mais tarde ou mais cedo, ficamos doentes”, declara em entrevista ao PÚBLICO. “E quando ficamos doentes deixamos de ser um cidadão. Passei a ser o doente da cama dois”, recorda o psicólogo sobre os seis meses que viveu num hospital de reabilitação, onde descobriu que não havia...